Gilson Alves é alvo de instrução da PGR por declarações na pré-campanha

A Procuradoria-Geral da República abriu uma instrução para apurar declarações públicas do candidato presidencial Gilson Alves, após identificar indícios que, em abstrato, poderão corresponder a crimes de instigação pública à prática de crime e apologia pública de crime. A decisão foi comunicada pela própria PGR e não representa uma conclusão sobre a responsabilidade do candidato.
Segundo a instituição, as declarações sob análise foram feitas em diferentes ocasiões durante a pré-campanha. Entre elas estão intervenções num debate transmitido pela Televisão de Cabo Verde, em 28 de outubro de 2026, numa entrevista à estação, no dia 22, e junto ao Estabelecimento Prisional da Ribeirinha, em São Vicente, a 14 de outubro.
A PGR indicou que a instrução pretende esclarecer os factos e as respetivas circunstâncias. O processo ficará sob a direção do Departamento Central de Ação Penal, para concentrar e coordenar a investigação. A transferência inclui autos que tinham sido instaurados anteriormente pela Procuradoria da República da Comarca de São Vicente.
O comunicado também explica que, por se tratar de um candidato presidencial, o procedimento criminal só poderá prosseguir depois da proclamação dos resultados eleitorais, conforme a norma constitucional citada pela PGR. A investigação, portanto, foi aberta, mas a tramitação fica sujeita a essa condição.
Entre os elementos mencionados no processo estão declarações relacionadas com a apresentação da candidatura de Alves e a alegação de que teria estado num local escuro acompanhado por indivíduos encapuzados que exibiam armas brancas. A PGR afirma que reuniu os autos no departamento central devido à natureza dos factos e à sua repercussão pública e social. O candidato não é apresentado como condenado, e caberá à instrução apurar o que ocorreu.
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